| Bel Barcellos - "De tão alvas, quase almas" |
Resgate do femininoA mulher entregue à loucura, aos medos, envolta em silêncios perturbadores e também sagrados - sua alma, que transita nesta esfera, emanando perfumes e evocando a paz. São esses depoimentos pessoais, carregados de emoção, que a artista plástica carioca Bel Barcellos traduz, após seis anos de estudos, em panos e papéis alvos.
Essa ampla abordagem da temática da mulher, seus conflitos e espiritualidade é o seu novo desafio na mostra "De tão alvas, quase almas", onde a artista explora o universo feminino, através de uma série em grafite sobre lençóis de linho com sutis bordados, e pequenas séries de desenhos.
Mestre em artes cênicas pela University of Hull, na Inglaterra, Bel revela essa paixão pelo pano solto, na série de nove lençóis, onde fala do corpo e da alma da mulher, expressando sentimentos dicotômicos como angústia e suavidade, medo e amor, desespero e força. Os bordados, com fios e nuances coloridas, reiteram os extremos, trazendo um contrapeso à imagem quase etérea.
Os desenhos, pequenas séries em grafite e bastão óleo sobre papel, passam por um processo de decalque, esmaecidos em tons de marfim e cinza, em menor formato - "alvas almas" evoca religiosidade e espiritualidade; "corpo estranho" remete a transes mediúnicos; "encarnadas" aborda o sacrifícios ou rituais; "trabalho de mulher, brinquedo e criança" relata a curiosidade pueril e índole feminina; "elas vêm trazer encanto ao mundo" com nus e "desassossego" fala sobre angústia da insônia.
A artista destaca no currículo individuais no Museu de Belas Artes, no Museu da República e no Centro de Estudos Brasileiros, em Maputo, Moçambique, e coletivas como Brasilidade, no Centro Cultural da Light e Orlândia, uma ocupação de casa em obras no Rio de Janeiro, entre outras.
Rio de Janeiro - Setembro - 2006.