"PINTURAS", de Augusto Oiticica.
O artista e seu rastro de luz

Oiticica e_obra
Foto inspirada no encontro com Bento XVI.
Uma seta pra cima simbolizando elevação da espiritualidade com sete sóis no lado esquerdo, referente à perfeição do sete, toda em prata com muito brilho, retratando a luz do Papa, no dia 24/10/2005, às 12h, horário de Roma, em uma segunda-feira ensolarada.

A busca do olhar

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Opção pelo lado luminoso da vida

©Alexandros Papadopoulos Evremidis*

Não é de hoje o pacto de Oiticica com o olho e sua função precípua - verbal e substantiva. (Olho) Vejo como se agora fosse uma impactante série anterior em que nos dizia de hiper-dimensionados olhos: ora doces e melífluos; ora plácidos como os da vaca sagrada; e ora irados furacões da ira divina.

Na progressão de sua fatura artística, e com comovente propriedade na presente série, o olhar do artista busca closes e panorâmicas, não mais dos olhos, mas do que os olhos vêem (e o sensível coração do artista sente!) e das emoções que em nós suscitam: espanto, decepção, tristeza - tudo magistralmente resolvido em poesia, beleza, esperança = arte (maior! - do tamanho de algum hipotético criador).

Mas, leitor, ver e ler para entender - portanto leia por favor o credo artístisco do artista, a seguir, e veja fotos de algumas obras, na seqüência:


"Sou inspirado pela luz, pelo brilho, pelo sol e pelos sentimentos mais altos da natureza humana. Defendo a liberdade de todo mundo fazer o que quiser. Mesmo porque sou livre e feliz no meu ofício de pintor - esta minha liberdade, espontaneidade nos meus traços. De minhas reflexões do mundo não abro mão.

"Seria fácil para mim valorizar a subjetividade da platicidade contemporânea e desprezar o racionalismo inerente à arte clássica, neoclássica e geométrica-construtiva, pois minha criação é de formas abstratras e totalmente livre. Sendo assim acho que é preciso renovar sempre tudo, porque a pintura é silenciosa, com um tempo absolutamente particular - o modernismo era contemporâneo na sua época. Há espaço para todos - "novos" e "velhos".

"O olhar poético é um exercício contínuo, diário. Por isso, nesta mostra pintei o preto (O Olho da Guerra), porque meus olhos estão repletos de coisas tristes, guerras, mas coloquei o prata para sair da sombra e triunfar para a luz, dando o meu grito de esperança ao outro e às minhas próprias inquietudes.

"Para mim, o mundo sem arte seria um horror - ela é sem dúvida o sustentáculo dos princípios humanos. Coloco a minha arte à disposição das pessoas para que cada uma delas possa olhar, saborear, alimentar a alma e o espírito. É a minha missão como artista.

"Acredito na energia que emana dos meus cristais, transmitindo luz, projetando cores, imagens e reflexos. Por fim, não justifico o meu trabalho, porque o meu compromisso é com o belo - não quero mostrar na minha plasticidade tristeza e sim alegria, porque em matéria de feiura ninguém é mais artista do que os terroristas e os cegos pelo poder.

"Convidei Maria Helena para mostrar essas fotos do cotidiano de Ipanema porque me emocionei em ver pessoas simples vendendo picolé, milho, melancia. E mais ainda quando ela recusou por não ser fotógrafa profissional. Para mim, essas fotos são a sua pura consciência da beleza e da experiência humana do cotidiano - simplicidade, leveza, busca do mais alto em nós.

"Maria Helena, obrigado por alimentar a minha alma e o meu espírito e de quem chega à sua "casa de praia". É familiar, amiga. Isto é ARTE" - Augusto Oiticica


100x150cm | Sem título com cascalho de esmeraldas | ast Sem_título_com_cascalho_de_esmeraldas



100x150cm | Sem título com cascalho de esmeraldas | ast Sem_título_com_cascalho_de_esmeraldas



100x150cm | Sem título com cristais de citrino | ast Sem_título_com_cristais_de_citrino



100x150cm | Sem título cascata de cristais de ponta variados | ast Sem_título_cascata_de_cristais_de_ponta_variados



80x80cm | Sem título com três pedras cristalizadas | ast Sem_título_com_três_pedras_cristalizadas



150x100cm | Sem título com cascalho de esmeraldas e ametistas | ast Sem_título_com_cascalho_de_esmeraldas_e_ametistas



100x150cm | Sem título | ast Sem_título



Sóis I Sóis_ao_mar_I



Sóis II Sóis_ao_mar_II



Sóis III Sóis_ao_mar_III
Fotos: divulgação


O indefectível brilho do artista

©Alexandros Papadopoulos Evremidis*

Se os mais velhos trazem na bagagem as vantagens da experiência e da maturidade, os jovens dispõem da pujança e da ousadia, que os levam a se arriscar na experimentação e a, se necessário, se consumir no fogo da paixão. E em se tratando de almas artísticas, portadoras de intensa sensibilidade, o efeito é perturbador, quase paroxísmico. É o caso do pintor Augusto Oiticica, parente do penetrante e parangolístico Hélio Oiticica e da pós-moderna e performática Christina Oiticica. Deve estar no sangue, mais precisamente, no DNA.

É próprio da arte nos surpreender. E Augusto não nos surpreende apenas com o inusitado do tema e sua impactante realização, mas também pela original composição, o que confere encanto e estranhamento. Vasta é a gama das fantasias que nos conduzem do sublime ao erótico, do matérico ao metafísico. Fique tranqüilo, leitor: está claro que a arte de Oiticica não pertence ao reino do invasivo, nem da devassa e da agressão; antes, ela é plácida, pacífica e contemplativa. Acolhedora, sempre! Mais para cúmplice do que para antagonista.

Entre as muitas obras de Oiticica, há algumas criações abstratas, muito bem resolvidas e acabadas, que nos revelam o elevado nível de sua consciência crítica do mundo e suas sensíveis preocupações sociais e políticas - numa delas, um derrame em tons vermelhos, vemos um rosto se decompondo e se diluindo em sangue. É o retrato do momento que a humanidade atravessa, ameaçada por insanos terrorismos e estúpidas guerras imperialistas. Como contraponto, há outras telas em que esplendoroso surge o mundo da beleza e da harmonia, do otimismo e da felicidade, valores inalienáveis, que cabe a toda arte autêntica nos proporcionar, sintomaticamente trabalhadas com preciosas pedrarias e esotéricos cristais. Tudo valioso como o caminho ascendente que Oiticica está trilhando, tendo já, com certeza, dado os passos fundamentais. Brilhantemente.

Rio de Janeiro - 2006

©Alexandros Papadopoulos Evremidis > escritor crítico > E-mail


Depoimento do artista:

"A melhor viagem da minha vida, ocorreu em outubro de 2005, pois descobri a minha missão como artista, "colocar" a beleza no mundo.

"Em Londres, Paris, Veneza, Florença, Assis e Roma, desta vez, entendi que não preciso "chocar" o mundo com coisas tristes, posso até ser chamado de careta, pois em matéria de feiura ninguém é mais artista do que os terroristas, os capitalistas cegos pelo poder.

"Não acredito na escuridão e sim na ausência de Luz, de Deus. Sendo assim, não me preocupo com opiniões obscuras a meu respeito como artista.

"Tento simplificar a minha arte de forma que uma criança entenda, com pureza, pois se assim conseguir, conseguiria transformar a realidade do mundo em uma grande poesia e em um sonho sem fim.


Vitae
Augusto Oiticica - 1971:

Nascido em 03/02/1971 na cidade de Salvador-BA, logo em seguida mudou-se para Valença, uma pequena cidade da Bahia, onde passou sua infância e adolescência. Desde pequeno, já rabiscava em guache e papel, mostrando seu dom para as artes plásticas; nascido de uma família de artistas, não negou sua origem.
O seu trabalho profissional começou em Madrid e Barcelona, na Espanha, em 1996, encantando os espanhóis com sua seqüência de "sóis bem iluminados", segundo a crítica espanhola Maca Cruz.
Toda a sua vida está pautada pela espiritualidade, em que busca inspiração do Criador, pois se classifica com uma ligação intensa com Deus superior.
Peregrino de convicção, já andou mais 1.990 km, através de três experiências no caminho de Santiago de Compostela, que para ele é o equilíbrio de sua vida - "andando só, consegui fazer uma reflexão da vida melhor do que nos grandes centros".
Hoje, nos grandes centros, ele já mostra o trabalho concluído, buscando encantar as pessoas, através da excelência dos seus traços, tantas vezes ditos como iluminados por todos aqueles que tiveram a oportunidade de apreciar as suas obras.

Formação Acadêmica:

Bacharel em História - UCSAL - Universidade Católica de Salvador - BA.

Exposições:

O artista, achando seu trabalho sempre embrionário, está constantemente buscando nas suas viagens inspiração nas histórias dos lugares visitados, bem como sua cultura e seus costumes. Segundo o artista, "na vida tudo passa, mas a arte é a única coisa que fica".

  • Participou de Feiras abertas em Madrid, Barcelona e Paris, com trabalhos espalhados em mais de 27 países.
  • 1ª Exposição Individual - Aliança Francesa da Bahia - 19 a 21/02/01.
  • 2ª Exposição Individual - Museu Náutico da Bahia - Farol da Barra - RJ - 04 a 15/02/02.
  • 3ª Exposição Individual - Tynos Restaurante - Lagoa - RJ - 15/07 a 25/08/02.
  • 4ª Exposição Individual - Restaurante Il Giardino Di Venezia - SP - 28/08 a 28/12/02
  • 5ª Exposição Individual - Tynos Restaurante - Lagoa - RJ - 03/02 a 30/04/03
  • 6ª Exposição EXPO-CHINA-BRASIL - Pequim - 2004
  • 7ª Exposição Individual - Sheraton Barra - RJ - de 22/11 a 09/12/05
  • 8ª Exposição - Química da Vida - Museu Bispo do Rosário - 9/4 > 9/8/2006 - RJ
  • 9ª Exposição Individual - A Busca do Olhar - (Convida Maria Helena Cassinelli com "Visão sobre a praia de     Ipanema" - Fotografias) - 16/8 > 4/10/2006 - Centro Cultural Ariano Suassura - RJ
  • Coletiva A Cara do Rio - Centro Cultural Correios - Rio de Janeiro-RJ - junho 2007
  • Coletiva Brasilbahiart - Instituto Mauá Salvador - BA - janeiro/março 2008


    A seguir um soneto de Eduardo Gomes homenageando a arte de Augusto Oiticica:

    Augusto Augusto:

    Mago das belas artes
    Poeta de todas as cores
    Traduz em poesia
    Telas de mil sabores.

    Sensibilidade que projeta
    Quadros de maestria
    Visionaridade que completa
    Tua obra com prataria.

    Augusto virtuoso amigo
    Versa ao mundo com tuas artes
    Traduz o néctar do universo.

    Embriagando-nos com tua luz
    Espiritual carnal avassaladora
    Técnica confessional sedutora.


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